Vamos deixar bem claro o que está acontecendo:
1. Um professor da Universidade Brown passou a aplicar provas para serem feitas em casa. O número de alunos em sua turma triplicou, e 84 dos 86 estudantes foram flagrados usando IA para trapacear na prova intermediária.
2. Um professor da Cleveland State inseriu frases sem sentido ocultas em sua prova para ser feita em casa, e 32 dos 35 alunos foram flagrados usando IA para trapacear. A maioria nem sequer conferiu as respostas e enviou frases como “a bicicleta roxa de Madagascar sussurra para o teto”.
3. Isso não é um efeito de curto prazo: pesquisas de Oxford e de outras instituições mostram que, após usarem IA por apenas 10 minutos, se a ferramenta for retirada, as pessoas desistem com muita facilidade. A persistência é um músculo que atrofia.
4. Pesquisas do MIT mostram que o uso de IA faz, literalmente, com que o cérebro “desligue”. As capacidades cognitivas são como um músculo que atrofia.
5. Um novo estudo, que incluía respostas incorretas geradas por IA, perguntou aos participantes se eles conseguiam resolver problemas complexos. 44% das pessoas que trabalharam sozinhas responderam “não sei a resposta”, enquanto apenas 3% daquelas que utilizaram as respostas erradas da IA disseram “não sei”. A IA não apenas torna as pessoas menos inteligentes, ela as torna menos inteligentes, porém confiantes.
6. Isso leva ao que pesquisadores de Wharton chamam de “rendição cognitiva”. As pessoas delegaram, de bom grado, a tomada de decisões à IA, acreditando, ainda assim, que mantêm o controle. Estamos abrindo mão, voluntariamente, daquilo que nos torna humanos.
7. Outras pesquisas recentes indicam que 26% dos usuários intensivos de IA já sofrem de uma espécie de “sobrecarga cerebral” (*brain fry*), na qual o uso excessivo da tecnologia faz com que o cérebro “desligue”, impedindo até mesmo a verificação de fatos óbvios fornecidos pela IA. Assim como ocorre ao rolar infinitamente o feed de redes sociais, o cérebro tem um limite para a quantidade de tarefas rápidas e de baixo esforço que consegue realizar antes de entrar em “superaquecimento”.
8. Novas pesquisas mostram que, entre trabalhadores que utilizam IA, o “trabalho profundo” (*deep work*) caiu 9%, enquanto tarefas rotineiras (como responder a e-mails e mensagens) dobraram. E sabemos que o trabalho profundo é como um músculo cerebral: quanto menos o exercitamos, menor a probabilidade de obtermos *insights* profundos.
E para quê? O objetivo declarado é o lucro. No entanto, 91% das próprias empresas relataram que a IA não teve impacto algum no ROI (retorno sobre o investimento). O ganho médio no ROI, até o momento, é de exatamente 0,2%. Ainda assim, muitas empresas estão impondo a IA aos seus funcionários, tornando as pessoas menos capazes contra a vontade delas (o que você pode fazer? Pedir demissão e procurar uma empresa que não utilize IA?)
Um último estudo: apenas 6% dos americanos aprovam fortemente a IA.
Você pode debater sobre a IA o quanto quiser, mas afirmar cegamente que ela é “inevitável” significa ignorar uma grande quantidade de dados concretos.
Não deixe a “rendição cognitiva” acontecer com você. Proteja e preserve seu aprendizado e seu conhecimento. Isso será um grande diferencial dentro de pouco tempo!
David Matos
Referências:
